para contribuições – 2ª edição

A Revista LABCENAS é uma publicação digital e nasce do desejo de reparar e amplificar, na discussão sobre as artes, as vozes e conhecimentos dos profissionais das áreas técnicas que ganharam ao longo da história sub-representação em publicações do campo de domínio das artes. A revista surge e reivindica – de forma urgente – reconhecimento das pautas e descobertas, inquietações e motivações, planos e experiências acumulados ao longo dos anos. Nesse sentido, o objetivo é contribuir para diminuir uma deficiência histórica, usando como recurso o acesso à informação, capacitação, produção e difusão de conhecimentos. |

A edição inaugural da revista ganhou um contorno de manifesto e foi lançada em abril de 2021, propondo um espaço de valorização das áreas técnicas, criando ambientes dialógicos, representatividade e difusão da produção intelectual e das experiências dos profissionais das artes nas áreas de iluminação, sonoplastia, cenografia, transmissão em ambiente virtual (live streaming), cenotecnia, contrarregragem, figurino e adereço, maquiagem, produção, dentre outros. O periódico dá prioridade à contribuição desses profissionais e às contribuições com ênfase nas experiências dos mesmos. Diferentes linguagens e formatos de trabalhos são aceitos, de modo que possam ser acolhidos em sua diversidade e multiplicidade.

Tema:
FALTAS, FOMES E FISSURAS – POLÍTICAS E (IM)POTÊNCIAS EM TEMPOS-LUGARES DE PRECARIEDADE

Inspiradxs por um artigo escrito por Thiago Lima, intitulado “Toda fome é uma decisão política”, lançamos a chamada para a segunda edição convidando colaborações que versem sobre o complexo relacionamento entre a arte e a precariedade. Em um contexto político tão adverso a cultura, talvez o artigo do ativista nos tenha provocado de forma especial a traçar paralelos a partir de algumas metáforas. 

Existe um delicado jogo entre as artes e o precário, como sabemos. Talvez a arte esteja sempre sob algum tipo de intensa falta, ameaça, ou propositalmente mantida viva na fragilidade, para que não possa se configurar como intimidação e nem se possa apontar um algoz.

Outra faceta dessa relação complexa é que nos orgulhamos de conseguir fazer tanto com tão pouco: poucos recursos, condições, reconhecimento. Coincidentemente, ou não, o fazemos enquanto assistimos a decadência progressiva de políticas públicas e mistas, enquanto se espera cada vez mais entregas em cada vez menos tempo, com cada vez mais inovação e retorno para o contratante.  Mas é possível também pensar na precariedade enquanto matéria interessante e – quem sabe – constituinte. Numa pesquisa de imagens numa rede social altamente viciante, constatamos que a ideia de precariedade nas artes está associada a imagens de desequilíbrio e equilíbrio, de instabilidade e estabilidade, forma e ausência de forma. Melhor: de equilíbrio no desequilíbrio, de estabilidade na instabilidade, de forma na ausência de forma. Mas sempre do realizado. O precário – e o fazer artístico – associados àquilo que é ou parece improvável e impossível e, ainda assim, existe em/com êxito. Dessa forma, entendemos que pode haver uma força motriz na falta. E há criação de fissuras/frestas através das quais brotam novas possibilidades, modos e mundos. 

Mas o que fazer para que a superação da falta não se volte contra nós e retroalimente toda uma estrutura de precarização dos processos e produções? Vivemos numa espécie de simbiose com o precário? Que tipo de falta é essa que gera impulso, que ao mesmo tempo nos liberta e aprisiona?

– Pai, por que eles estão com fome?
– Porque eles não têm comida, filha – disse eu
– E por que eles não pegam no armário?
– Porque eles não têm comida no armário. Eles não têm nem uma casa para ter armário.
– E por que eles não têm casa?
– Porque o papai e a mamãe deles não têm trabalho.
– E por que não têm trabalho?

Eu respirei fundo e disse a ela que o mundo era injusto, mas que podemos tentar ajudar. Agora, esta foi a resposta possível para uma criança de 3 anos. Os governos do mundo não podem dar essa mesma resposta. Os governos do mundo devem ser confrontados com os fundamentos filosóficos que legitimam a Fome como impulso de submissão a um sistema econômico, a um sistema político, enfim, como um princípio organizador da sociedade. Para que todas as pessoas possam se alimentar dignamente é preciso erradicar a Fome como princípio e culpabilizar os governantes que permitam o surgimento de pessoas famintas quando houver condições mínimas que possam impedir tal tragédia. Do contrário, devemos considerar a omissão de socorro como crime contra a humanidade. A Fome não deve ser parte natural da paisagem. A Fome deve ser o ato doloso de produzir famintos.

Trecho do artigo “Toda fome é uma decisão política”

Convidamos a comunidade de profissionais das áreas técnicas e afins de todas as linguagens e seus híbridos a submeterem contribuições para integrar esta segunda edição. 

Prazo de submissões

As submissões podem ser realizadas no período de 21 de junho a 31 de julho de 2021.  

dos eixos e possibilidades de submissão

Três eixos principais organizarão as contribuições submetidas, de acordo com seu teor, tom e tecido, a saber:

  • Memórias e testemunhos (monológico)
    depoimentos, anotações, registros de processo
  • Reflexões
    artigos, textos analíticos, provocações, crises, insurreições e levantes
  • Trocas (dialógico)
    entrevistas, conversas, trocas de diálogo/e-mail 

        Serão aceitas submissões de contribuições em formato de texto, imagem, áudio e vídeo. É importante que a autoria e direitos de imagem e som sejam próprios. Trabalhos submetidos sem sua respectiva autorização de uso de som e imagem não serão avaliados.

        Os textos deverão ter no máximo cerca de 6.000 caracteres (inclusive espaços), enviados em extensão ( .doc / .docx / .pdf / .odt / .txt ). Termos técnicos, locais, gírias, jargões, palavrões e interjeições serão bem-vindos. Acolheremos poemas, ensaios, registros de diário, desabafos, piadas, glossários, relatos de experiência, pensamentos, citações, dicas, receitas e outros. Encorajamos e valorizamos o uso de linguagem inclusiva. 

         As imagens deverão ter o mínimo de 300 dpi, em extensão ( .jpeg / .png / .jpg / .pdf ) para garantir sua boa resolução em formato editorado. Aceitamos fotos de processo, cabine, backstage, croquis, selfies, emaranhados de fios, rolos de fita, rascunhos, grids, rastros e restos, cenas – o que te convocar! Não esqueça de enviar os créditos dx fotógrafx, nome de pessoas que porventura apareçam na fotografia e, em caso de registro de cena ou obra artística, os créditos da obra. 

      Os vídeos deverão estar nos formatos mp4, avi ou mov. O conteúdo deve ter classificação livre. Fora isso, vale tudo que tenha a ver com o tema da edição, como você se entende enquanto profissional, ou sua atuação no mundo artístico. 

Quanto às submissões de áudios, pedimos que, em caso de podcasts, se dê preferência a gerar arquivos através de aplicativos como o Anchor, que reduzem barulhos de fundo. Pedimos que nos enviem os arquivos em extensão .mp3, mp4, .wav ou similar de ampla difusão. Não há limite de duração, porém aconselhamos que o mesmo não passe de 30 minutos.  

Da seleção

Os materiais submetidos serão selecionados pelo comitê editorial para integrar a edição da revista (curadoria de conteúdo é também um trabalho técnico delicado e importante, que leva muitos fatores em conta). 

A coordenação editorial comunicará por e-mail, até o prazo máximo de 07 de agosto de 2021, o resultado da seleção dos trabalhos. À coordenação é ainda reservado o direito de solicitar, por e-mail, ajustes, desdobramentos e maiores esclarecimentos sobre o conteúdo submetido – e axs contribuidorxs, claro, cabe o direito de acatar ou não as sugestões feitas. 

Uma realização da Bogum Ambiente Criativo e da Multi Planejamento Cultural,
a Revista integra o LABCENAS – Laboratório de Tecnologias para a Cena, que propõe um circuito de formação, debate, pesquisa e difusão dos conhecimentos que envolvem as áreas técnicas das artes.