Henderson Oliveira

Como compreender, entre coturnos e fios dentais, por entre ecossistemas ciborgues de baixa  tecnologia, trincheiras de flores, totens de led, não lugares, antropofágicos obesos,  semideuses de proveta, homens caranguejos, bites, beaches, bitches, procissões de fuzis, sob  um deus, deusa, judeu, cristão (?); que acolhe ou lamenta? De que modo podemos nos fazer  entender, em um cotidiano imagético, sem psicanalista disposto, do país estagnado no futuro,  que híbridos reproduzem e crescem, sempre ribeirinhos, se avolumam, corpos robustos de  ausência, crias de precipício, cidadãos do fim de tudo. A autoria filosófica de um pensamento,  pertence ao homem ou a vida? Já que o homem pensa em comum por diversas narrativas,  variantes no modo de compreensão cultural, que no entanto, desaguam sobre questões  embricadamente fragmentadas na própria vida. O que é um filósofo se não uma matéria  retorica da vida, receptáculo, tradutor amador de cosmos arredios? A materialidade histórica  existiria sem Marx, porque o mundo se faz pelo mundo, o atômico é inconsciente, poderíamos  ser chimpanzés construindo robôs, somos, mas quem diz que sim? e Nietzsche, abordando a  fragilidade da razão, não estaria dialogando mais com a racionalidade do que com o revés do  espirito, usa-se códigos, criam- se sentidos, dentro de uma convenção, isso se perde do que se  perdeu em uma época sem endereço, o instinto se esquiva daquilo que pede compreensão, o  próprio instinto não existia antes do instinto, e se caso o queiramos, seremos projeção do que  sequer nasceu antes do instinto ser presença e não sentido. 

As favelas existem sem. 

Os subúrbios existem sem. 

Guetos existem sem. 

Apolo + Dionísio = 1914 – 1918, 1939 – 1945 

Razão 

Jargão 

Nasceu 

Nescau 

Tem uma vaca no meu Toddy, isso é muito sem sentido 

mande a resposta, mas antes confira o CEP. 

Não se importe, não me importo, tenho CPF.

Henderson Oliveira é pessoa não-binárie, pretx de Parnaíba.
Trabalho com vertentes visuais desde os anos 2000, quando comecei a experimentar possibilidades de modificação da imagem crua a partir de dispositivos de baixa tecnologia, o que me propiciou também me enveredar por construções analógicas do segmento da Collage Art, fato esse que me engajou em transposições do corpo, e da palavra, fenômeno pessoal no qual me trouxe a chance de trabalhar desde 2014 como ator e performer no Grupo de Teatro Metáfora.

vol. 2, no. 2 – 2021

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